
Conheça a história do Heart: A Banda Que Transformou O Rock Com Talento e Personalidade, confira neste artigo.
A história do Heart é uma daquelas que parecem feitas sob medida para um filme de rock. Há irmãs talentosas, grandes sucessos, mudanças de formação, brigas familiares, recomeços e, claro, guitarras em volume suficiente para acordar até quem jurou que dormiria cedo. Mais do que uma banda liderada por duas mulheres, o Heart ajudou a mudar a maneira como o público enxergava as mulheres no hard rock.
Quando se fala em grandes bandas de rock, alguns nomes aparecem quase automaticamente. Led Zeppelin, Rolling Stones, Aerosmith, Deep Purple… E, entre eles, existe um grupo que conquistou um lugar especial justamente por desafiar algumas regras não escritas do gênero: o Heart.
Liderada pelas irmãs Ann Wilson e Nancy Wilson, a banda combinou hard rock, folk, baladas e influências do rock dos anos 1970. O resultado foi uma carreira cheia de sucessos, mudanças e algumas reviravoltas que fariam qualquer fã pensar: “Será que agora vai?”. E quase sempre foi.
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O Começo do Heart
As raízes do Heart estão no final dos anos 1960, na região de Seattle, nos Estados Unidos. Ann Wilson já estava envolvida com música quando passou a integrar um grupo que tinha entre seus integrantes Roger Fisher e Steve Fossen.
Fisher e Fossen haviam participado de uma banda chamada White Heart. O nome acabou sendo encurtado para Heart, uma escolha simples, mas que combinava muito bem com o estilo que o grupo desenvolveria.
A história ganhou um novo capítulo quando a banda se mudou para Vancouver, no Canadá. Foi ali que começou a construção do Heart que o público conheceria. Michael Fisher, irmão de Roger, também teve papel importante como empresário e esteve ligado aos primeiros anos do grupo.
Pouco depois, Nancy Wilson, irmã mais nova de Ann, entrou definitivamente na formação. Ela trouxe ao grupo uma forte presença na guitarra e uma personalidade artística que complementava perfeitamente a voz poderosa de Ann.
A formação clássica dos anos 1970 também contou com o baixista Steve Fossen, o baterista Michael DeRosier, Roger Fisher na guitarra e Howard Leese nos teclados e guitarra. Essa equipe seria responsável por alguns dos discos mais importantes da carreira.
O som chamava atenção por misturar peso e delicadeza. O Heart podia apresentar uma guitarra pesada em um momento e, na sequência, entregar uma passagem acústica ou uma melodia quase folk. Não demorou para que surgisse uma comparação curiosa: a banda chegou a ser apelidada de “Little Led Zeppelin”.
Dreamboat Annie Coloca o Heart no Mapa
O grande salto aconteceu com Dreamboat Annie, lançado em 1976. O disco trouxe músicas que se tornariam clássicos, entre elas “Magic Man” e “Crazy on You”.
Ann Wilson chamou atenção imediatamente por sua voz poderosa, enquanto Nancy se consolidou como uma guitarrista de presença marcante. Isso era especialmente importante em uma época na qual o hard rock ainda era visto, em grande parte, como território masculino.
O sucesso do álbum foi rápido. Nos Estados Unidos, o disco alcançou certificação de platina, impulsionado principalmente pelos singles que se transformaram em clássicos do rádio.
Little Queen e o Estouro de “Barracuda
Em 1977 veio Little Queen, outro álbum fundamental. O disco continha “Barracuda”, provavelmente uma das músicas mais conhecidas de toda a trajetória do Heart.
O riff inicial da canção é daqueles que dispensam apresentação. Basta começar e muita gente já sabe o que vem pela frente.
“Barracuda” ajudou a confirmar que o sucesso do Heart não era passageiro. O grupo havia encontrado uma fórmula própria e, ao mesmo tempo, mantinha uma identidade forte. O álbum também vendeu mais de um milhão de cópias.
No mesmo período, chegou Magazine, lançado em meio a uma disputa com a antiga gravadora. O disco tinha material que havia ficado envolvido em questões contratuais e acabou entrando na discografia oficial da banda em circunstâncias pouco convencionais.
Em 1978, o Heart lançou Dog & Butterfly, mantendo a sequência de bons resultados.
O primeiro Grande Entra E Sai
Foi justamente no final dos anos 1970 que começaram as mudanças mais importantes na formação.
Roger Fisher deixou a banda em 1979, depois de um período complicado envolvendo também seu relacionamento com Nancy Wilson. A saída alterou bastante o equilíbrio interno do grupo.
No início da década seguinte, outras mudanças aconteceram. O baixista Steve Fossen e o baterista Michael DeRosier saíram. Mark Andes assumiu o baixo e Denny Carmassi passou a tocar bateria. Ou seja: se o fã já estava começando a decorar a formação, era melhor não guardar os nomes em ordem alfabética.
Mesmo com as mudanças, o Heart continuou trabalhando. Vieram Bébé le Strange (1980), Private Audition (1982) e Passionworks (1983).
Esses trabalhos não repetiram o impacto comercial dos primeiros discos. A banda passou por um período de incerteza e parecia estar perdendo espaço. Mas o Heart ainda tinha uma carta na manga.
O Renascimento nos Anos 1980
Em 1985, o grupo lançou simplesmente Heart. O álbum representou uma transformação importante no som e na imagem da banda.
O disco trouxe músicas como “What About Love?”, “Never”, “These Dreams” e “Nothin’ at All”. A fase era diferente daquela dos anos 1970, mais ligada ao rock de arena e ao universo pop da década, mas a força das irmãs Wilson continuava intacta.
O resultado foi impressionante. O álbum vendeu mais de cinco milhões de cópias nos Estados Unidos e colocou quatro músicas entre os grandes sucessos das paradas. “These Dreams”, cantada por Nancy Wilson, chegou ao primeiro lugar.
Em 1987, veio Bad Animals, que manteve a banda em alta. O disco trouxe “Alone”, uma das baladas mais famosas do Heart e outra música que alcançou o topo das paradas americanas.
Depois veio Brigade, em 1990, que apresentou outro grande sucesso: “All I Wanna Do Is Make Love to You”.
Os Anos 1990 e Mais Uma Mudança de Rumo
Na década de 1990, a situação do mercado mudou. O rock alternativo começou a dominar o cenário e muitas bandas tradicionais precisaram encontrar uma nova maneira de se apresentar.
O Heart lançou Desire Walks On em 1993. Nesse período, a formação novamente sofreu mudanças, com Fernando Saunders assumindo o baixo e Denny Fongheiser chegando à bateria.
Esse álbum teve como single de destaque a regravação de The Woman in Me, um cover da cantora Donna Summer, a rainha das discos.
Em 1995, o Heart lançou The Road Home, um trabalho ao vivo com novas versões acústicas de clássicos como “Barracuda”, “Crazy on You” e “Dreamboat Annie”. O projeto teve produção de John Paul Jones, do Led Zeppelin.
O Retorno do Século XXI
Depois de um período de menor atividade, Ann e Nancy voltaram a colocar o Heart novamente no centro das atenções.
Em 2004, surgiu Jupiters Darling, primeiro álbum de estúdio em onze anos sem novos lançamentos. O trabalho marcou uma aproximação com as raízes do grupo.
Depois vieram Red Velvet Car (2010), Fanatic (2012) e Beautiful Broken (2016). Esses discos mostraram que as irmãs Wilson não dependiam apenas da nostalgia. Ainda tinham coisas novas para dizer e vontade de experimentar.
“Red Velvet Car”, por exemplo, recebeu atenção justamente por recuperar elementos mais próximos do Heart dos anos 1970, sem simplesmente tentar copiar o passado.
Curiosidades Que Ajudam A Entender O Fenômeno Heart
Uma das maiores curiosidades é que as irmãs Wilson não eram apenas as figuras que apareciam na frente do palco. Elas escreviam, tocavam instrumentos e participavam ativamente da construção musical da banda.
Outro detalhe importante está na própria formação clássica. Embora Ann e Nancy fossem as estrelas mais conhecidas, Roger Fisher, Steve Fossen, Michael DeRosier e Howard Leese também foram fundamentais para o sucesso do Heart nos anos 1970. O Rock & Roll Hall of Fame reconheceu justamente essa formação ao incluir esses músicos na homenagem à banda.
E existe ainda uma curiosidade familiar: a irmã mais velha das Wilson, Lynn, também teve participação em trabalhos ligados ao Heart, incluindo vocais em estúdio e atividades relacionadas ao figurino das turnês.
Uma outra curiosidade da banda, é que na produção de vários clipes da banda, O diretor procurava não focar muito no corpo da Ann. Essa razão se dava por ela ser um pouco gordinha e por isso usava roupas largas. Eles procuraram focar mais em Nancy, que tinha e tem até hoje, o corpo mais esbelto que a irmã mais velha.
Ann e Nancy: O Coração Que Permaneceu
Se existe uma constante na história do Heart, ela atende pelos nomes de Ann e Nancy Wilson.
Músicos entraram e saíram. O som mudou. As gravadoras mudaram. O mercado musical mudou várias vezes. Houve períodos de grande sucesso, momentos de dificuldade e até afastamentos entre as próprias irmãs.
Ainda assim, o Heart sobreviveu porque sua essência nunca dependeu de uma única formação.
Em 2013, a banda entrou para o Rock & Roll Hall of Fame, reconhecimento que resumiu a importância de uma trajetória construída ao longo de décadas. O próprio Hall destacou o papel do grupo na união entre hard rock e folk e sua importância como uma das bandas mais duradouras e bem-sucedidas do rock.
E talvez essa seja a melhor maneira de explicar o legado do Heart. Ann e Nancy Wilson não apenas conseguiram espaço em um ambiente dominado por homens. Elas chegaram, tocaram, escreveram suas próprias músicas, venderam milhões de discos e continuaram fazendo rock em diferentes épocas.
No fim das contas, o Heart provou que algumas bandas podem trocar músicos, atualizar o visual, atravessar crises e enfrentar mudanças no mercado sem perder sua identidade. E, convenhamos, depois de tantos anos de estrada, isso já é mais difícil do que tocar “Barracuda” sem acabar cantando o refrão junto.
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